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mercoledì 9 maggio 2012

Poemário Inatual (VI): "Dez milhões de Gajos"



António Gedeão (1906-1997), fisico e storico della scienza con il nome civile di Rómulo de Carvalho, ha scritto, sin dagli Anni 50, poesie che hanno segnato almeno due generazioni di portoghesi (su tutte Pedra Filosofal, Lágrima de Preta, Poema para Galileu).  Oggi  un poeta inattuale.

Estatística

Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes,
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e uma tantas mil almas.
Assim se lia
No meu livrinho de Corografia
De António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças ao progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.


lunedì 2 gennaio 2012

Poemário Inatual (V)

Prima delle cose ultime. Altro che i Maya. Buon 2012.



Pneumotórax  de Libertinagem (1930)

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. 



Manuel Bandeira (1886-1968)

lunedì 12 dicembre 2011

Poemário Inatual (IV)

Esta é uma homenegam comovida ao poeta vivo que me interessa mais.

Ruy Belo (1933-1978)

No meu país não acontece nada
À terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
Às casas com que o frio abre a praça

Dezembro abre vidros brande as folhas
A brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
Que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
O único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
O fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
saudade e o transistor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nos foi um dia um menino?

Há neste mundo seres para quem
A vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
Atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
É o pescador cuspido à praia à luz do dia
Pois  a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
Que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer

“Morte ao Meio-dia” in Boca Bilingue (1966)


giovedì 27 ottobre 2011

Poemário Inatual (III)



Il neorealismo è morto. Viva il neorealismo. Proclamare la morte di qualcuno è semplice. Più complicato è sotterrare gli avi. Anche in verso.

 Manuel da Fonseca

Aldeia de Planície (1941)
Nove casas,
duas ruas,
ao meio das ruas
um largo,
ao meio do largo
um poço de água fria.

Tudo isto tão parado
e o céu tão baixo
que quando alguém grita para longe
um nome familiar
se assustam pombos bravos
e acordam ecos no descampado.


sabato 21 maggio 2011

Poemário Inatual (II)

Se dopo tutto significa qualcosa, se ancora significa qualcosa l’espressione amor à portuguesa credo che il brano del gruppo The Gift aspiri a reinventarne i termini con parole e musica. In tempi di società liquide e/o liquidate. Il brano “Fácil de entender” si può ascoltare qui:


lunedì 21 marzo 2011

Poemário Inatual (I)

(Un breve spazio a cadenza irregolare, che parte casualmente, il 21 marzo – giorno mondiale della poesia – per tutti i lettori inattuali di versi)

De onde vem o teu nome?
porque cantas canções tristes
e choras devagarinho à noite
porque despertas com o escuro
e fumas e comes chocolate
porque muda de cor o teu cabelo
porque parou o teu olhar hoje
como se chamam os teus gatos
onde estarás depois de amanhã
onde guardas as palavras
que à noite viajam para mim
tantas perguntas por
perguntar quem és
tu?

Carlos Alberto Machado, da Talismã (2004)


Da dove proviene il tuo nome?
perché canti canzoni così tristi
e piangi piano di notte
perché ti svegli col buio
e fumi e mangi cioccolata
perché cambiano colore i tuoi capelli
perché si è arrestato il tuo sguardo oggi
come si chiamano i tuoi gatti
dove sarai dopodomani
dove conservi le parole
che di notte viaggiano verso di me
tante domande per
chiedere chi sei
tu?

(trad. italiana di v.r.)